O gasóleo ultrapassou os 2,20 €/L em plena época alta. Para quem faz transfers de aeroporto, os preços vendidos há meses já não pagam a viagem de hoje.
Na semana de 21 de setembro de 2026, o preço médio do gasóleo simples chegou aos 2,210 €/L, o valor mais alto desde a intensificação do conflito no Médio Oriente. Para as empresas de transporte turístico privado (transfers de aeroporto, excursões e serviços com motorista), o impacto chega num momento particular: a procura continua forte, mas a margem de cada viagem está a encolher.
Procura em alta, margem em queda
O Aeroporto de Faro movimentou 4,8 milhões de passageiros no primeiro semestre de 2026, mais 3,8% do que em 2025, segundo o INE. Trabalho não falta. O problema está no preço a que foi vendido: muitas tarifas foram fechadas com operadores turísticos, hotéis e plataformas de reservas no início do ano, com o gasóleo bem abaixo dos níveis atuais.
Uma carrinha de 8 lugares que faça 90 000 km por ano, com um consumo de 8,5 litros aos 100 km, gasta cerca de 7 650 litros de gasóleo. Se as tarifas foram calculadas com o gasóleo a 1,60 €/L, o agravamento é de cerca de 4 600 € por viatura, por ano. Numa frota de 15 carrinhas, aproxima-se dos 70 000 €. Num transfer Faro–Albufeira, com ida com clientes e regresso em vazio, são cerca de 4,60 € a menos em cada serviço.
Os apoios não chegam ao transporte turístico
O Governo aprovou a 17 de setembro 38 milhões de euros em apoios extraordinários para o transporte de mercadorias, o transporte público rodoviário de passageiros (420 € por autocarro), os táxis (120 € por viatura), os bombeiros e o setor social. O comunicado não prevê uma linha específica para transfers e transporte turístico privado. A redução do ISP beneficia todos no posto de abastecimento, mas é temporária e está prevista apenas até 31 de dezembro de 2026.
A resposta tem de vir de dentro das empresas.
Cinco perguntas que todas as empresas de transfers devem saber responder
- Quanto custa, hoje, cada transfer? O custo tem de incluir o regresso em vazio, as esperas por voos atrasados e os reposicionamentos.
- Os contratos permitem rever preços? Muitas tarifas com operadores turísticos e plataformas estão fixas por época ou por ano, sem cláusula de ajuste ao combustível.
- Quantos quilómetros são feitos sem passageiros? Cada regresso vazio ao aeroporto ou à base é combustível pago sem receita.
- Quanto fica para a empresa depois das comissões? Intermediários e plataformas cobram comissão sobre um preço que pode já não cobrir os custos.
- A frota está ajustada ao serviço? Carrinhas grandes em serviços de dois passageiros encarecem a operação; em trajetos curtos, híbridos e elétricos podem fazer diferença.
Agir antes da próxima época
Os contratos com operadores turísticos para a época 2027 negoceiam-se nos próximos meses. É o momento de propor uma cláusula de indexação ao combustível (fuel surcharge), preços diferenciados por distância e zona, e uma revisão das tarifas de venda direta. Uma proposta fundamentada em números concretos tem muito mais probabilidade de ser aceite do que um pedido genérico de aumento.
Em paralelo, há ganhos ao alcance de qualquer frota: agrupar transfers por voo e por zona, criar parcerias entre operadores para reduzir regressos em vazio, controlar consumos por viatura e motorista, e rever a política de abastecimento.
Como a Neomarca pode ajudar
A Neomarca disponibiliza um Diagnóstico de Exploração para Empresas de Transporte Turístico, realizado em 6 a 8 semanas, que calcula o custo real de cada tipo de transfer, identifica contratos, canais e rotas deficitários, simula cenários de preço do combustível e entrega um plano de ação para a época 2027, incluindo o apoio à renegociação com operadores turísticos e plataformas.
Com o gasóleo em máximos históricos, o momento para agir é agora. Cada transfer vendido a um preço desajustado é margem que passa da sua empresa para os seus parceiros.
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